domingo, 14 de abril de 2013

Pela 1ª vez, engenharia tem mais calouros do que direito


Folha 14 de abril de 2013

Pela 1ª vez, engenharia tem mais calouros do que direito

Em cinco anos, número de ingressantes na área mais do que dobrou

Dados do MEC mostram que em 2011 foram 227 mil calouros; mesmo assim ainda
há deficit de profissionais
FÁBIO TAKAHASHIDE SÃO PAULO
Pela primeira vez na história do ensino superior brasileiro, o número de
calouros em engenharia superou o de direito. A área agora só fica atrás de
administração.

Os dados foram levantados pelo Ministério da Educação, a partir dos seus
censos.

O aumento do interesse pela engenharia acontece num momento de deficit de
profissionais na área, iniciado na década passada.

Em 2006, foram 95 mil ingressantes em engenharia (5% do total). Cinco anos
depois, eram 227 mil (10%). Cresceram tanto o número de vagas públicas e
privadas quanto o de candidatos.

Já a quantidade de calouros em direito recuou 4%.

A expansão do número de ingressantes em engenharia é um avanço, porém,
ainda insuficiente para resolver a carência da área no país, afirma o
ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Primeiro, não é garantido que os novos ingressantes na área se formem.
Levantamentos mostram que, atualmente, menos da metade dos calouros de
engenharia consegue terminar o curso.

Em número de estudantes concluintes, direito segue à frente das engenharias.

Além disso, o deficit de profissionais ainda é muito superior ao volume de
universitários concluintes. Foram 45 mil em 2011, ante uma necessidade de
ao menos 70 mil novos engenheiros ao ano, de acordo com cálculos oficiais.

"Há uma mudança importante no sistema", disse à Folha o ministro da Educação.

"Nas décadas com hiperinflação e baixo crescimento havia muitos conflitos.
A área de interesse era o direito. Agora, há crescimento da construção
civil, de obras de infraestrutura, de desenvolvimento tecnológico", disse.

"Sabemos, por outro lado, que precisamos de mais engenheiros", completou.

Para Roberto Lobo, ex-reitor da USP e consultor na área de educação
superior, "o momento é positivo, mas os ganhos podem se perder".

Lobo diz que há o risco de a evasão na engenharia crescer, pois, com o
aumento no número de alunos, a tendência é que mais estudantes com
dificuldades na área de exatas entrem nas faculdades.

"As escolas terão de se preocupar ainda mais em dar reforços de conteúdos
básicos."

Mercadante aponta outra dificuldade nos cursos. "São muito teóricos. O
aluno fica anos sem ver nada de engenharia, são só cálculos, física.
Muitos desistem."

A pasta organizará fóruns para influenciar as instituições a colocarem
atividades práticas nos primeiros anos do curso e a aumentarem os estágios
aos estudantes

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