domingo, 2 de setembro de 2012

AMBIÇÃO E SUCESSO NAS PROFISSÕES JURÍDICAS.

O Direito é o curso que abre o mais amplo leque de oportunidades.
Pesquisador, magistrado, professor, advogado especialista em Direito Criminal, Esportivo, Família, de ONGs, são infindáveis as possibilidade de realização profissional.
A cada um, na medida de sua vocação e limites, cabe procurar o seu lugar.
Durante o curso de graduação, quase que imperceptivelmente, vão sendo feitas as opções.
Um estagiário vê na AGU o melhor caminho. Outro, na advocacia litigante. Um terceiro sente-se fascinado pela ação, pelo poder, e mira nos concursos para a Polícia.
Para alguém mais sensível, a Defensoria Pública pode ser a possibilidade de atender os mais fracos.
Evidentemente, há os que não se encaixam em nenhuma das posições. Indecisos, seguem procurando seu destino em locais diversos.
Avançam nos anos sem saber o que querem, fazem outros cursos, vão e voltam sem se encontrar.
Aí o problema é de orientação psicológica.
Partindo do pressuposto de que o jovem encontrou seu espaço no mundo profissional, a primeira pergunta a fazer-se é qual a sua ambição.
Prefere uma vida cômoda, segura, ainda que sem grandes emoções? Ou deseja o sucesso, brilhar, ser reconhecido?
Se a ambição limita-se a um bom emprego, com horário que permita ter vida pessoal e familiar, frequentar uma academia, não levar serviço para casa, o melhor caminho é o serviço público, em cargo de assessoramento ou suporte à atividade fim.
Todavia, se o desejo é de alcançar notoriedade, reconhecimento, dois caminhos se abrem: a iniciativa privada e o serviço público, em carreiras que deem maior visibilidade.
Nas atividades privadas, o graduado em Direito pode optar por ser advogado ou professor em Faculdades particulares, que são a grande maioria.
Se estiver iniciando em um grande escritório de advocacia, deve pedir trabalho, mostrar que está incorporado aos objetivos do grupo, vibrar com as vitórias, sofrer junto nas derrotas.
Se abrir o próprio escritório, deve estar disponível ao seu cliente o tempo todo, conquistar confiança, mostrar garra, vontade de ganhar a causa.
Seu empenho deve ser absoluto, o mesmo para um cliente rico e para a faxineira do prédio que precisa levantar o FGTS do falecido marido.
Se a opção for o magistério em Faculdade de Direito privada, deve saber que sua atividade não se limita a dar aulas em classe. 
Deve colaborar com a instituição, participar de outras atividades, como projetos de pesquisa, organização de seminários ou escritório de atendimento aos carentes.
O professor que se limita a, rotineiramente, cumprir seu horário, arrisca-se a receber uma carta convidando-o para passar na secretaria, a fim de acertar as contas.
Nas carreiras públicas a situação é diferente, às vezes oposta.
A começar pelo fato de que o estágio probatório de 2 anos, previsto nos estatutos, dificilmente se aplica a algum servidor público.
Após o ingresso, a avaliação costuma ser formal e a meritocracia raramente é observada. E no final do mês todos recebem o mesmo. Isto leva alguns ao desânimo, à apatia. É um erro.
Mesmo com suas peculiaridades, o serviço público precisa de pessoas motivadas. Aos que desejam dar um passo à frente, seja por ambição, consciência de sua responsabilidade social ou simplesmente por amar o que fazem, existem, sim, recompensas. Elas às vezes demoram, mas acabam chegando. Vejamos.
O primeiro passo é não assumir jamais a postura de um desiludido, que não leva a nada.
O segundo é dedicar-se ao trabalho e mostrar resultados.
O terceiro, aprimorar sempre os conhecimentos através de cursos, seminários e outras atividades (v.g., um juiz com doutorado é visto com mais respeito).
O quarto passo será escrever, publicar, participar de concursos relacionados com sua atividade.
E por último, precisa aparecer.
A regra dos tempos de antanho (que palavra mais fora de moda!) continua em plena vigência: “QUEM NÃO É VISTO NÃO É LEMBRADO”.
Todavia, mesmo tomando todas estas medidas, o caminho do sucesso não será fácil.
Não se pode ser ingênuo, destacar-se tem o seu preço, desperta ciúmes.
Assim é, sempre foi e sempre será.
Algumas pedras serão colocadas no caminho, regra geral pelos que não se esforçam por nada, mas invejam os que assim agem. 
O melhor a fazer é fingir que nem percebeu. Exemplos.
Um promotor que combata o crime organizado, tendo uma série de limitações em sua vida privada, por vezes até risco pessoal, não deve ter a ilusão de que será festejado por seus colegas.
Ao contrário, na medida em que se tornar respeitado e famoso, será hostilizado pelos que preferem exercer suas funções das 13h às 18h, sem compromisso maior com o interesse público. 
Um policial civil que se anime a investigar pessoas de posses, que supostamente praticam lavagem de dinheiro, sentirá a reação dentro e fora da instituição.
Um desembargador que zerar seu gabinete certamente será acusado de fazer votos sem fundamentação. É a vida.
Se assim são as coisas, apenas dois caminhos se abrem aos que trabalham nos serviços públicos da Justiça: a) acomodar-se e aguardar o dia da aposentadoria; b) empenhar-se, dar de si o máximo, ciente de que, mesmo sendo difícil o caminho, o sucesso virá e lhe trará realização pessoal.
Entre as duas opções, óbvio que a segunda é melhor.
Acomodar-se significa fugir dos desafios, entregar-se a uma rotina sem prazeres, converter-se em uma pessoa pouco interessante que exterioriza pessimismo e mágoas.
Lutar, ao inverso, significa motivação, emoções, experiências, relacionamentos, em síntese, gosto pela vida.
Tudo além do doce sentimento do dever cumprido.
Assim, para os que abraçam funções públicas, seja em cargos intermediários, seja em chefias, com ou sem poder de mando, a busca de sucesso é o grande estímulo para fazer as coisas sempre melhores. Evidentemente, sem com isto ferir os que o acompanham na caminhada.
Portanto, a melhor forma de conduzir-se é propor novas práticas, inovar, desburocratizar, parar e pensar como o serviço público poderia atender mais e melhor um grande número de pessoas, ser obstinado na busca dos objetivos, evitar o individualismo, ser sensível, objetivo e motivador.
Receber um sonoro não ou perceber que um colega subtraiu sua ideia, não devem ser motivos para desânimo, mas sim para fazer o dobro.
Nesta trilha, mais cedo ou mais tarde a recompensa virá.
Pode até ser que por outras formas que não uma sonhada promoção.
Mas, quem sabe, pelo reconhecimento dos que o cercam, por uma carta de uma pessoa beneficiada ou simplesmente por ver o resultado de uma medida positiva tomada no passado.
Em suma, é preciso manter o brilho nos olhos, ser eternamente inquieto, querer sempre mais e melhor.
Afinal, se assim não for, a vida vale a pena?

Vladimir Passos de Freitas é desembargador federal aposentado do TRF 4ª Região, onde foi presidente, e professor doutor de Direito Ambiental da PUC-PR.

Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2012

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